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‘Espetáculo de horrores’: grupo que induziu menina ao suicídio planejava outros atentados

Momento da captura de um dos alvos da operação. PCMS O coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça e Segura...

‘Espetáculo de horrores’: grupo que induziu menina ao suicídio planejava outros atentados
‘Espetáculo de horrores’: grupo que induziu menina ao suicídio planejava outros atentados (Foto: Reprodução)

Momento da captura de um dos alvos da operação. PCMS O coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Alessandro Barreto, afirmou que a investigação da Operação Lívia identificou graves falhas nos mecanismos de moderação de conteúdo da plataforma Discord. Durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (4), Barreto classificou como um “espetáculo de horrores” a sequência de violências estimuladas entre crianças e adolescentes que participavam das transmissões realizadas na plataforma. Segundo ele, o grupo também planejava a prática de novos crimes. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Ao todo, cinco adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, e um homem de 18 anos foram alvos de mandados judiciais cumpridos nesta terça-feira (4) nos estados do Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Rio de Janeiro. O principal suspeito de liderar o grupo seria um adolescente de 14 anos, apreendido na capital fluminense. O estopim da operação foi a morte de uma adolescente de apenas 13 anos, moradora de Naviraí (MS), que teria sido induzida a matar um animal e, posteriormente, tirar a própria vida diante dos demais participantes das transmissões. “Todas as crianças e adolescentes conseguiram acessar a plataforma sem qualquer tipo de verificação de idade para entrar nesses ambientes onde essas transmissões aconteciam. Houve uma falha terrível na moderação. Foram 45, 50 minutos de verdadeiras atrocidades”, afirmou Alessandro Barreto. Durante a coletiva, o coordenador do Ciberlab também destacou a frieza demonstrada pelos envolvidos durante os episódios investigados. “Foi um verdadeiro espetáculo de horrores, em que pessoas obrigavam e induziam outras a cometer atos violentos. E, quando a transmissão terminou, ainda houve uma enquete perguntando: ‘Alguém quer mais?’. Já havia uma intenção de marcar uma nova ação para o dia seguinte”, relatou. Segundo Barreto, a Polícia Civil solicitou o bloqueio da plataforma Discord, mas o pedido não foi autorizado pela Justiça. O coordenador reiterou que a tragédia poderia ter sido evitada caso a plataforma tivesse adotado medidas adequadas de restrição e fiscalização do conteúdo. Agora no g1 “Se esse conteúdo tivesse sido moderado, talvez estivéssemos aqui hoje falando apenas sobre prisões, e não prestando solidariedade à mãe da vítima”, afirmou. O coordenador criticou a ausência de mecanismos eficazes de controle na plataforma e ressaltou que, conforme determina a legislação de proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, conteúdos dessa natureza deveriam ser removidos imediatamente, com comunicação às autoridades competentes. “Pelo ECA Digital, o Discord teria a obrigação de derrubar esses conteúdos e comunicar imediatamente às autoridades policiais para que elas pudessem agir antes que esses resultados acontecessem. Isso não foi feito”, declarou. A investigação apurou que um dos adolescentes teria conseguido se cadastrar em uma das plataformas utilizando uma autodeclaração de data de nascimento correspondente ao ano de 1877, indicando, de forma fictícia, que teria 148 anos de idade. “Isso demonstra uma clara utilização indevida da autodeclaração de idade, permitida pela plataforma, sem que houvesse uma verificação adequada, principalmente para impedir o acesso a conteúdos proibidos”, explicou Barreto. Outra vítima Ainda conforme o coordenador do Ciberlab, o grupo já teria escolhido uma nova vítima para uma possível ação criminosa. “Outra morte estava planejada pelo grupo, mas nós estamos felizes hoje por termos conseguido salvar uma vida”, afirmou. As investigações apontam que os suspeitos atraíam crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade por meio de plataformas digitais, onde propunham desafios violentos e incentivavam práticas criminosas. LEITA TAMBÉM Grupo suspeito de induzir menina ao suicídio fez mais vítimas e forçava outras violências Polícia apreende cinco menores por suspeita de induzir menina de 13 anos ao suicídio durante 'live' Polícia mira suspeitos de induzir menina de 13 anos ao suicídio durante 'live' em rede social Durante a operação, foram apreendidos computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos, que serão submetidos a perícia para análise do conteúdo armazenado. Também foram encontrados materiais relacionados à apologia ao neonazismo, armas e conteúdos de abuso sexual infantil entre os itens apreendidos com os investigados. A análise dos dispositivos eletrônicos deverá auxiliar na identificação de outros integrantes do grupo, no esclarecimento da estrutura de funcionamento da organização e na descoberta de possíveis novas vítimas. Os suspeitos são investigados pelos crimes de homicídio qualificado e organização criminosa. O caso segue sob segredo de Justiça, e a polícia não descarta a realização de novas fases da operação conforme o avanço das análises das provas coletadas. Como buscar ajuda Para quem precisa de apoio emocional, além de acionar a rede de apoio, o acolhimento inicial pode ser feito através do número 188, o número do Centro de Valorização da Vida (CVV), válido em todo território nacional e é gratuito. Além disso, o site Mapa da Saúde Mental pode ser utilizado para encontrar um serviço mais próximo, trazendo informações sobre acolhimentos gratuitos ou de baixo custo. O Sistema Único de Saúde (SUS) promove a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) que fazem o acolhimento para quem precisar sem necessidade de agendamento. Os serviços de atenção básica, conhecidos como postinhos de saúde, também podem realizar consultas com enfermeiras, promovendo um acolhimento inicial no momento de sofrimento. Há ainda instituições sem fins lucrativos que oferecem apoio e informação: Centro de Valorização da Vida Associação Brasileira dos sobreviventes Enlutados por Suicídio Instituto Vita Alere Rede Pode Falar (para jovens de 13 a 24 anos) Instituto Bia Dote Momento da captura de um dos alvos da operação. PCMS