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Indígenas Ashaninkas denunciam invasão de território e ameaças em área de fronteira no interior do Acre

Ashaninkas denunciam invasão de território por organizações criminosas Indígenas do povo Ashaninka denunciam a invasão da Terra Indígena (TI) Kampa do Ri...

Indígenas Ashaninkas denunciam invasão de território e ameaças em área de fronteira no interior do Acre
Indígenas Ashaninkas denunciam invasão de território e ameaças em área de fronteira no interior do Acre (Foto: Reprodução)

Ashaninkas denunciam invasão de território por organizações criminosas Indígenas do povo Ashaninka denunciam a invasão da Terra Indígena (TI) Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, no interior do Acre, por supostas organizações criminosas ligadas ao narcotráfico, ao garimpo e à exploração ilegal de madeira na região de fronteira entre Brasil e Peru. Segundo a denúncia, um grupo de aproximadamente quatro homens armados e encapuzados, que falavam espanhol, entrou na aldeia no inicio de julho. Eles afirmam que a movimentação de suspeitos vem do lado peruano da divisa. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp A Rede Amazônica Acre teve acesso, com exclusividade, ao áudio de um morador que relatou o medo de quem vive no território. Segundo a plataforma Terras Indígenas no Brasil, a TI Kampa do Rio Amônia tem 940 moradores. "Há duas semanas estamos vendo pessoas encapuzadas, armados, aparecendo, assoviando, assoprando, rondando nas aldeias. Entre a aldeia São Jorge, Cruzeirinho, Japiim 1 e Japiim 2. E essas pessoas procuram quatro parentes", afirma a gravação. LEIA MAIS Denúncia de invasão e ameaça leva a operação em terra indígena no interior do Acre: 'Muita tensão' O mistério da civilização Aquiry: cientistas dizem que sociedade milenar no Acre reuniu milhões de pessoas Ameaças, furto de barcos e tráfico de drogas são investigados em aldeia isolada no interior do Acre Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas afirmou que tomou conhecimento das denúncias de incursão armada e ameaças. O órgão informou que adotou medidas emergenciais de segurança com o envio à região do exército e do grupo especial de operações em fronteira, o Grupo Especial de Fronteira (Gefron), além de solicitar a abertura de inquérito pela Polícia Federal. TI Kampa do Rio Amônia tem cerca de 900 moradores Arquivo/Funbio Os relatos são de que os suspeitos procuravam por um representante da comunidade e ameaçaram os moradores. Para um líder indígena, que pediu para não ser identificado, a intenção dos invasores era amedrontar. Isto porque representantes do povo que habita o local tem participado de esforços na busca por segurança na região de fronteira entre Brasil e Peru, que fica próxima dali, na divisa do Acre com o país vizinho. "Está num contexto que nós criamos um trabalho que chamamos de Comissão Transfronteiriça, que envolve um debate transfronteiriço, do lado do Peru, do lado do Brasil, e as lideranças se reúnem para discutir a proteção, violação de direitos, a pressão que tem nesse território", explica. Os relatos dos indígenas e investigações da polícia apontam que organizações criminosas ligadas ao narcotráfico, ao garimpo e à exploração ilegal de madeira têm se espalhado pela floresta amazônica. Esses grupos usam os rios da região como rotas para os crimes. "Não é a gente que está criando, os próprios dados das polícias, que investigam, que aprendem pessoas, que têm muitas apreensões de droga usando todos esses rios, toda essa região como rota. Então, esse é um dado que está lá, as forças policiais, toda a Polícia Federal sabe disso, não é novidade", destaca o líder. Operação combate presença de criminosos A Polícia Federal ampliou a atuação no local por meio da Operação Atalaia do Juruá, que se encerrou no último dia 25. Além de dar apoio à operação, a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) diz que recebeu a denúncia das lideranças indígenas, que já identificou os suspeitos da invasão no território Kampa do Rio Amônia e que mantem patrulhamento nos rios da região. “Nós estamos em contato com as autoridades peruanas para que possam designar de lá para cá alguém que possa investigar, para descobrir onde mora, o que fazem, para que a gente possa levar à Justiça, ou do lado peruano, porque do lado peruano acontece a exploração do bioma, da parte de minério, de madeira e da parte brasileira. Normalmente os rios são utilizados para movimentação e apoio logístico dessa região", afirma Atahualpa Batista Ribeira, diretor operacional da pasta. Ainda conforme o gestor, o suporte a esta apuração inclui também a designação de uma aeronave do Centro ou Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) para levar equipes até a terra indígena, onde houve reuniões com os moradores. “Fizemos uma investigação juntamente com a parte da polícia civil, as pessoas estão identificadas, nós sabemos quem são essas pessoas e fugiram para o lado peruano, então assim, o nosso papel está sendo feito”, acrescenta. Alerta em Brasília com dossiê Em meio à preocupação e a busca por segurança, um grupo de lideranças indígenas foi até Brasília para entregar um dossiê com informações sobre invasões, ameaças e atuação de grupos criminosos na região. Segundo resposta conjunta elaborada pelo Ministério dos Povos Indígenas, pela secretária-geral da presidência da república, pelo ministério da justiça e segurança pública e pela polícia federal, órgãos que concentram as ações do governo federal voltadas ao povo Ashaninka, foram definidos: instalação, pelo ministério dos povos indígenas, de mesa de diálogo permanente para acompanhar as denúncias e coordenar as providências dos órgãos federais; envio do dossiê à casa civil e ao ministério do meio ambiente e mudança do clima; articulação, no ministério dos direitos humanos e da cidadania, de medidas para ampliar o programa de proteção aos defensores de direitos humanos, comunicadores e ambientalistas e reforçar a proteção das lideranças ameaçadas; consolidação, nas próximas semanas, das respostas dos órgãos federais às demandas apresentadas, sem prejuízo das ações emergenciais e operacionais já em curso. "O território vai viver a sua vida, e a gente precisa agir, estar sempre junto com as forças do estado, ver, estar monitorando, acompanhando, para que a nossa vida não seja tirada desse direito da liberdade que a gente construiu ao longo do tempo", reforça o líder.